Novos padrões de beleza, novos distúrbios alimentares
- 25 de mar. de 2019
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Padrão de beleza é um tema em constante atualização. Visto que, com o passar dos anos, surgem novas concepções de o que é belo ou não. Tornando-se ainda um problema quando gera obsessão. Quando há desespero diante da necessidade de se encaixar na sociedade, a ponto de alcançar a capacidade de destruir e deformar o próprio corpo. Causando, assim, dentre outros problemas, os distúrbios alimentares.
A nutricionista Grazielle Durante (23) explica que, “qualquer hábito ou costume que a pessoa tem em relação aos alimentos, que prejudique de forma física, mental ou social” é considerado um distúrbio alimentar. Para a psicóloga Regiany Morais (39), na maioria dos casos, o fator que gera o desenvolvimento desses transtornos é a questão do peso. Ela afirma que pacientes assim têm uma visão distorcida de si. Se percebem mais gordos do que realmente são e passam a ter como ideal o corpo de modelos extremamente magros.
Pode-se considerar que a busca desesperada pelo corpo perfeito tem grande incentivo das mídias. Antes, considerava-se bonito o que aparecia nas telenovelas com suas atrizes deslumbrantes. Hoje, esse papel tem sido desempenhado incisivamente pelos personagens das redes sociais. Inundadas de fotos devidamente posadas, mostrando a beleza ideal. Mas nada disso importa se não houver saúde. Grazielle atesta que o trabalho do nutricionista, para evitar o desenvolvimento de distúrbios alimentares, é “não reforçar os padrões e mostrar que o importante é cuidar da saúde física e mental”.
Distúrbios mais comuns
Anorexia: a pessoa para totalmente de comer ou fica longos períodos de tempo sem ingerir nada. Ela se priva de comer voluntariamente, porque está acima do peso ou se vê de forma distorcida. Isso pode causar desnutrição severa.

Bulimia: na maioria dos casos, a pessoa tem episódios de comer muito um alimento específico provocando culpa. As formas de compensar variam, podem ser exercícios físicos exaustivos, indução de vômito, ingestão de laxantes e até jejuns prolongados.
Compulsão alimentar: geralmente acontece por conta de ansiedade. A pessoa, às vezes, se sente muito ansiosa e pega qualquer coisa na geladeira. Ela, apesar de se sentir culpada, não consegue parar de fazer aquilo e não compensa de outra forma. É um ciclo.
Novos transtornos
E se engana quem pensa que distúrbios alimentares estão relacionados apenas a alimentos calóricos. As famosas “besteiras” não são as únicas culpadas. A onda fitness trouxe uma pontinha de vício pela vida saudável e até isso pode trazer problemas, o que pode parecer absurdo. Mas Grazielle conta que está surgido um novo distúrbio nomeado ortorexia. Nesse caso, a pessoa tem obsessão por alimentos saudáveis. Muita gente acha que isso é bom porque assim vai estar sempre em dias com a saúde. No entanto, quem tem esse pensamento “não admite comer nada que esteja fora de sua dieta e, se o fizer, se sente que estragou a própria vida” comenta. A nutricionista ainda assegura, portanto, que não há problema comer algo não saudável de vez em quando: “não é o fim do mundo, só não pode deixar virar um hábito”.
Ainda nessa onda fitness, Regiany apresenta mais um novo transtorno que vem aumentando, a vigorexia. O problema aqui é a obsessão pelos músculos. “A pessoa é capaz de passar horas na academia e ingerir apenas alimentos que contribuam para o aumento da massa muscular”, afirma, acrescentando que existem situações ainda mais estranhas. Segundo a psicóloga, outro fenômeno crescente é a Síndrome de Pica ou Alotriofagia. Esse distúrbio é caracterizado pelo “desejo de comer coisas estranhas como barro, insetos e botões”. A partir disso, ela atesta que o distúrbio alimentar é uma doença, “é um vício que causa dependência assim como o álcool e as drogas”, sustenta.

Consequências
Como cada caso é um caso, os efeitos variam de acordo com os tipos de distúrbio alimentar e também com o organismo da pessoa. De acordo com Grazielle Durante, a falta de ingestão de alimentos faz com que o corpo diminua a produção de enzimas digestivas e ácido gástrico. Então, “se a pessoa voltar a comer normalmente, o organismo pode ter uma rejeição”, comenta.
Já casos indução de vômito frequentes, podem causar inflamação do esôfago, gastrite e refluxo crônico. Agora, se a pessoa tem costume de ingerir laxantes, isso pode provocar diarréias constantes. “Depende da forma com que a pessoa compensa o que ela comeu”, explica a nutricionista, apontando que é muito difícil acontecerem danos permanentes, já que o organismo se adapta. “Mas casos extremos podem levar à grave desnutrição, desidratação e até à morte”, alerta, acrescentando que casos de compulsão alimentar geram ganho de peso excessivo.
Outra conseqüência grave e frequente em pacientes com distúrbios alimentares de qualquer tipo é de cunho psicológico. Segundo Regiany Morais, o problema passa a dominar a mente daquela pessoa, gerando alto grau de ansiedade. “O que acarreta em mais sofrimento, como insônia e exclusão do convívio social”, sublinha.
Tratamento
Para tratar qualquer tipo de distúrbio alimentar, como esperado, é necessário acompanhamento psicológico e nutricional. “O papel principal do nutricionista é melhorar a relação que as pessoas têm com a comida”, sustenta Grazielle, apontando também que sua função como profissional é fazer uma reeducação alimentar com o(a) paciente, para que esse entenda o que ela precisa e como deve comer.
Já na área da psicologia, Regiany conta que o tratamento acontece com a terapia em duas formas: individual e familiar. A psicóloga conta que, tratando do paciente individualmente, são levantadas questões como a auto-imagem, auto-estima, conceitos de estética e saúde. “Mas o que se tem percebido é que existe mais sucesso com a terapia familiar”, pontua, confirmando que é necessária a conscientização de toda a família para ajudar na superação daquele transtorno.


































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