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Mulheres empreendedoras tomam espaço no mercado goiano

  • 21 de fev. de 2019
  • 5 min de leitura

Empreendedorismo é a palavra do século. Muitas pessoas optam por não seguir carreiras e empregos fixos, com a finalidade de criar seu próprio negócio. Alguns tomam essa decisão por um sonho, por talento e até mesmo pelas circunstâncias. O autor Louis Jacques Filion afirma que “um empreendedor é aquela pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”. Essa realidade já faz parte de Goiânia, principalmente entre as mulheres. Porque quem disse que as mulheres são o sexo frágil, não conheceu o potencial delas em pleno século XXI.

Surama Bittencourt (34) é exemplo disso. Ela começou seu negócio aos 17 anos ainda na escola. “Minha mãe começou a vender semi jóias. Me dava algumas e tudo que eu usava, minhas amigas queriam”, conta. Um dia resolveu brincar e entregou os acessórios para uma amiga. “No outro dia, ela chegou com o dinheiro e eu percebi que vender dava certo”, completa. A empresária lembra que isso foi no final de 2001, e em fevereiro do ano seguinte passou a vender semi joias oficialmente.

Surama explica que o tino para os negócios surgiu quando o pai foi à falência. “Eu acredito que, se isso não tivesse acontecido, eu jamais teria a oportunidade de colocar em prática uma coisa que eu nem sabia que existia em mim”, fala sobre seu empreendedorismo. Foram dez anos buscando seu lugar, antes de abrir a loja oficial. Nesse meio tempo ela tentou outras áreas, teve uma distribuidora de perfume, outra de lingerie e até tentou trabalhar com turismo infanto-pedagógico. Segundo ela, foram seis empresas que não deram certo. Hoje, além de sua loja, Surama ainda trabalha com o aluguel de jóias, em que a cliente investe apenas 25% do valor da peça e vive a experiência de usar uma jóia única.

Já o caso de Leonor Monteiro (31) foi totalmente diferente. Enfermeira de formação, ela era coordenadora de UTI e especialista em Gestão de Negócios, pois pretendia se qualificar em Gestão Hospitalar. Mas há três anos, quando teve seu primeiro filho, as coisas precisaram mudar. “Sempre fui apaixonada em comemorar meus aniversários, e acabava incentivando quem estava ao meu redor a comemorar também”, comenta que entrou para o ramo de festas por acaso. Largou a enfermagem porque queria se dedicar a seu filho, mas não queria ficar parada, então começou a decorar pequenas festas dos amigos apenas como hobby.

Enquanto isso ela começo a analisar o mercado e percebeu que existiam dois modelos de festas em Goiânia: as mega, com decorações exclusivas e super produção, e as padronizadas, com itens predefinidos para cada tema. Porém, Leonor quis ir além. A decoradora notou que estava chegando ao Brasil um novo estilo. As festas afetivas, que são caracterizadas por serem personalizadas e mais intimistas. “E eu me apaixonei por esse universo, festas sem excessos, mas com um significado enorme para quem comemora”, define. Para fazer dar certo, ela usou seu conhecimento em Gestão de Negócios e toda sua criatividade para desenvolver projetos únicos e diferentes para cada cliente. Ela se tornou uma das pioneiras na decoração de festas afetivas e já é muito requisitada.

No caso de Elenir Ferrera (51), tudo começou ainda na infância. Desde pequena já gostava de fazer roupinhas para suas bonecas. Vivendo no interior, enquanto a irmã mais velha costurava roupas, Elenir usava os retalhos. Na adolescência trabalhou em uma loja por três meses e descobriu que era aquilo que queria fazer pelo resto da vida. Aprendeu a costurar, vender roupa para as amigas e acabando por abrir seu próprio espaço, sem nenhuma ajuda financeira. Apenas com um sonho e o apoio de uma sócia. Os desafios do empreendedorismo apareceram aí, quando a sociedade não deu certo. Mas desistir não fazia parte!

“Ela não tinha nem 18 anos quando isso aconteceu”, conta a filha Malu Ferrera (29). Então Elenir se casou, foi morar no Rio de Janeiro e resolveu voltar a fazer roupa sob encomenda. Alguns anos depois, de volta à Goiânia, decidiu abrir um ateliê e começar tudo de novo. “Ela empreendeu por dom, por amor. Ela sempre quis criar”, afirma Malu. “Há cinco anos eu me juntei a ela como sócia”, sublinha acrescentando que os 20 anos trabalhando para se manter no mercado de moda não foram fáceis, mas Malu garante que ela e a mãe continuam acreditando no sonho, que é a marca Elenir Ferrera Couture, uma das maiores na capital goiana.

Dificuldades

Começar e conseguir manter um negócio firme não é fácil. Como tudo na vida, tem seus altos e baixos. Contudo, é preciso ter certeza daquilo para conseguir seguir com seu empreendimento. Hoje, mulheres de sucesso, ninguém vê os problemas da trajetória.

Leonor, por exemplo, diz que teve dois grandes obstáculos. O primeiro foi conseguir que os clientes investissem em festas afetivas. “São mais detalhadas, o que leva mais tempo para planejar e executar um projeto, por isso o valor do investimento não é baixo”, explica. O segundo foi, no meio de todas as mudanças de sua vida, conseguir conciliar os papeis de mulher, esposa, mãe e empreendedora. “O tempo muitas vezes não é nosso amigo”, afirma a decoradora lembrando que é preciso muito planejamento e organização para conseguir exercer todas as atividades.

Já Surama começa dizendo que um dos seus grandes desafios foi começar muito jovem, sem experiência e, principalmente, sem suporte financeiro. Ela conta que teve de trabalhar muito duro e aprender sozinha para conseguir crescer no ramo das jóias. Depois de ter alguns de seus negócios fechados, ela abriu sua primeira loja de varejo na área de acessórios, mas ainda não era aquilo. E ela superou os problemas sempre mantendo a fé. “Deus sempre fez na minha vida coisas que o dinheiro jamais compraria”, confirma.

Sobre ser jovem e não ter capital para fazer o sonho acontecer, Elenir entende muito bem. Começou do zero no interior de Goiás, seguiu para o Rio e de volta à Goiânia conseguiu fazer crescer seu ateliê. Mas criar, supervisionar e gerir uma empresa se tornaram muitas funções para uma única pessoa. Em 2009, Elenir Ferrera enfrentou o que seria uma de suas maiores dificuldades: precisou fechar seu negócio temporariamente. Enfrentar problemas financeiros e de pessoal não é fácil, porém, Malu caracteriza a mãe como determinada e em 2010 reabriu seu negócio.

Hoje, como sócias, elas contam que existem desafios como conseguir mão de obra especializada para trabalhar com roupas finas e encontrar pessoas comprometidas a trabalhar. Além de fatores externos como as oscilações do mercado e a velocidade de informação. “O processo criativo demanda um tempo, mas as pessoas querem novidade a toda hora”, confessa Malu sobre a necessidade de criar novas peças que sejam bonitas, diferentes e de qualidade em um curto espaço de tempo.

Sucesso

Todo mundo busca uma fórmula para o sucesso, mesmo sabendo que talvez isso não exista. Mas essas três empresárias concordam que a primeira coisa para fazer dar certo é ter amor por aquilo que se faz. “Quem não empreende com amor, está fadado a fechar rapidamente”, garante Malu Ferrera. Enquanto Leonor Monteiro acrescenta que é muito importante buscar inovar e descobrir o que te diferencia dos outros profissionais. “Se imprima em todas as suas produções”, fala sobre a importância do negócio ter a cara de quem o criou.

Sobre personalidade, Surama Bittencourt diz que é preciso se conhecer e saber qual é o seu propósito no mundo. Ela acredita que cada pessoa tem um dom entregue por Deus. “A partir do momento que você tem consciência de para o que você foi feita, você vai começar a desempenhar isso muitíssimo bem”, explica seu ponto de vista.

Malu ainda chama atenção para quatro pontos cruciais: organização, determinação, gestão e comprometimento. Ela assegura que nenhum empreendimento vai para frente sem um desses pilares. “Se você faz seu trabalho com seriedade, você colhe bons frutos”, comenta. E Surama finaliza dando a dica principal: “não faça pensando no dinheiro, ele é apenas um reflexo”.

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